segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A polêmica do diploma

A decisão do STF em relação à não exigência do diploma de Jornalismo para que o cidadão exerça a profissão merece ser analisada. Temos, nesta discussão três grandes públicos, o Governo, os jornalistas de fato, e as escolas de ensino superior de Jornalismo.Comprometido com a democracia, o Governo não hesitou em votar pela não exigência do diploma de jornalismo, uma estratégia visível de reafirmação do Estado como democrático e livre para a expressão verbal e escrita dos seus cidadãos. Esta medida implica diretamente no poder de construção da opinião que os jornalistas têm, e representa, mesmo que disfarçadamente, a preocupação com a imagem e repercussão que as ações do governo passam para os cidadãos e eleitores. Decidir entre fazer o melhor para poucos e fazer o básico para muitos é uma realidade do Estado problemático que é o Brasil. Nada melhor como conter a o avanço, desta vez das idéias, o conhecimento para esconder os cenários e as críticas explanadas e esclarecidas ao público brasileiro pelos grandes pensadores e formadores de opinião, os jornalistas. Sob argumento da democratização da informação o Governo se valeu do momento de difusão da informação que o país se encontra, e aproveitou a oportunidade para destruir uma história de 40 anos de luta que os jornalistas construíram e vinham construindo, pela valorização da informação feita de forma profissional e enriquecida de um grande arcabouço teórico. Os profissionais podem ser qualificados com ou sem a formação acadêmica. Isso é fato incontestável! Também é verdade que na prática existem muitos profissionais que trabalham bem com o Jornalismo sem nunca terem cursado uma faculdade da área. Entretanto, a não exigência do diploma vai acabar desvalorizando esta profissão, principalmente a longo prazo.Num futuro não tão distante, as salas de aula podem esvaziar-se, pois a não obrigatoriedade do diploma pode fazer com que as pessoas acreditem que é uma perda de tempo ficar tanto tempo numa sala de aula aprendendo a ser um jornalista ao passo que esta não é uma exigência do mercado.Num momento em que a informação torna-se cada vez mais democratizada, com amplo acesso da população o conhecimento não pode ser difundido pelos meios de comunicação de maneira impensada. O momento é propício para que haja uma ampliação do mercado para este profissional, porém o que ocorre é um retrocesso e a regulamentação dispensa um requisito que é fundamental para que o exercício da profissão se dê de maneira correta, com base nos conhecimentos teóricos e práticos vivenciados no decorrer da vida acadêmica.Por: Fabiane Pereira, Maína Dimas, Mariana Machado e Simone Vasconcelos.

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