A imprensa é o canal responsável por grande parte dos conteúdos que influenciam o comportamento e as atitudes do público. Por este motivo, a ética é fundamental para o bom exercício da profissão de todo e qualquer jornalista. O que é veiculado ajuda a conduzir a sociedade para determinadas ideologias, doutrinas e religiões. Tendo em vista esse poder, o jornalismo tem a função social de informar, de maneira imparcial, a sociedade sobrepondo-se a qualquer outro objetivo.
Contudo, faz-se muito presente em alguns veículos de comunicação o uso de um jornalismo “às avessas”, com divulgação de fatos de modo sensacionalista pela imprensa, com propósito deliberado de gerar impacto diante da opinião pública, influenciá-la e/ou desviar os olhares de um assunto em discussão. É comum também que os noticiados se sintam inconformados com as notícias acerca de seu posicionamento, ação, ou qualquer que seja o fato que o levou a virar notícia. Esta realidade é trivial no meio político, onde tudo deveria ser publicamente divulgado e feito para a população, mas a prática destoa desta teoria. O que ocorre neste ambiente, onde o poder se sobrepõe a ética ou o moralismo, é um caráter duvidoso que resulta em um redimensionamento das informações para se adequar às normas, mas que nas entrelinhas sempre existe um pouco de malícia ou de “terceiras intenções”.
O ministro Juca Ferreira atribuiu à imprensa um caráter sensacionalista, ao afirmar que os jornalistas são pagos para dizer mentiras e, consequentemente, produzir “factóides”. É fato que existe jornalista que utilizam sua profissão para disseminar opiniões pessoais e que nada tem a ver com o interesse da população acerca do tema, mas não é por isso que a liberdade de imprensa deve existir. Não há como culpar e punir a todos, tampouco generalizar no julgamento de opiniões deste tipo, por conta de uma parcela destes profissionais que fazem da sua profissão um exercício do “não-jornalismo”.
Nessa briga pelo poder, alguns fatos são interpretados de modo parcial e o resultado disso são as distorções da realidade e produção de notícias que tem o propósito de um “factóide”, ou seja, gerar deliberadamente um impacto diante da opinião pública de forma a manipulá-la de acordo com as aspirações de poderosos grupos que se utilizam de sua influência na mídia.
Tem imprensa que é paga para mentir, outra para omitir. Com isso, é preciso saber buscar as melhores e mais variadas fontes, bem como ter como prática constante, o diálogo com o próximo, para que os conteúdos produzidos pelos jornalistas não sejam encarados como verdades absolutas, mas como fatos que merecem atenção especial e interpretações, pois são passíveis de erros e opiniões pessoais que nem sempre refletem a realidade dos fatos.
Fabiane Pereira e Maína Dimas
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